Tumor Desmoplásico de Células Redondas Pequenas
Pontos principais
- É um sarcoma raro e agressivo que afeta principalmente jovens do sexo masculino.
- Caracteriza-se geneticamente pela translocação t(11;22)(p13;q12), resultando na proteína de fusão EWSR1-WT1.
- Apresenta-se tipicamente como massas abdominais com estroma desmoplásico denso na histopatologia.
- O diagnóstico é complexo devido à semelhança com outros tumores de células redondas pequenas.
O Tumor Desmoplásico de Células Redondas Pequenas (DSRCT, do inglês Desmoplastic Small Round Cell Tumor) é uma neoplasia maligna rara e altamente agressiva, classificada como um sarcoma de tecidos moles e pertencente ao grupo dos tumores de células redondas pequenas e azuis. Esta patologia manifesta-se predominantemente como massas abdominais, embora possa afetar diversos outros órgãos e tecidos.
Características e Distribuição
O DSRCT ocorre com maior frequência em crianças e adolescentes do sexo masculino, embora também possa ser diagnosticado em mulheres. Em pacientes femininas, a apresentação clínica pode, por vezes, ser confundida com o câncer de ovário devido à localização das massas tumorais.
Além do abdômen, o tumor pode envolver linfonodos, o peritônio (revestimento abdominal), diafragma, baço, fígado, parede torácica, crânio, medula espinhal, intestinos, bexiga, cérebro, pulmões, testículos e ovários.

Sinais e Sintomas
Devido à sua natureza rara e ao crescimento muitas vezes silencioso dentro da cavidade abdominal, o DSRCT é frequentemente diagnosticado em estágios avançados. Os pacientes costumam ser jovens e saudáveis, o que pode levar a um atraso na suspeita clínica.
Manifestações Comuns
- Distensão abdominal: Aumento do volume do abdômen.
- Massa palpável: Presença de massas endurecidas e arredondadas ao palpar a região abdominal.
- Dor: Relatos de dor abdominal ou lombar.
- Complicações gastrointestinais: Obstrução intestinal, perda de apetite e ascite (acúmulo de líquido no abdômen).
- Sintomas sistêmicos: Anemia e caquexia (perda severa de peso e massa muscular).
Genética e Patologia
Translocação Cromossômica
A característica definidora do DSRCT é a presença de uma translocação cromossômica única, notada como t(11;22)(p13;q12). Este evento genético funde o gene da família EWSR1 (localizado no cromossomo 22) com o gene do fator de transcrição WT1 (localizado no cromossomo 11). O resultado é a proteína de fusão EWSR1-WT1, que é encontrada em praticamente todos os casos da doença e atua como o principal motor oncogênico do tumor.
Análise Histopatológica
Descrito inicialmente por William L. Gerald e Juan Rosai em 1989, o tumor apresenta-se histologicamente como nódulos sólidos bem circunscritos imersos em um estroma desmoplásico denso (tecido fibroso). É comum a observação de áreas de necrose central. As células tumorais exibem núcleos hipercromáticos com uma alta relação núcleo-citoplasma.
A imuno-histoquímica revela uma coexpressão trilinear: marcadores epiteliais (citoceratina), marcadores mesenquimais (desmina e vimentina) e marcadores neuronais (enolase neurônio-específica). Essa característica sugere que o tumor se origina de uma célula progenitora com diferenciação multipenotípica.
Diagnóstico Diferencial
Dada a raridade do DSRCT, ele é frequentemente confundido com outras neoplasias de células redondas pequenas. O diagnóstico diferencial varia conforme a idade e o sexo do paciente:
- Pacientes Jovens: Pode ser confundido com rabdomiossarcoma, neuroblastoma e carcinóide mesentérico.
- Pacientes Adultos: Pode assemelhar-se a linfomas, mesotelioma peritoneal ou carcinomatose peritoneal.
- Homens: Pode ser confundido com câncer de testículo ou tumores de células germinativas.
- Mulheres: Frequentemente confundido com câncer de ovário.
Tratamento e Prognóstico
Não existe um protocolo de tratamento único e padronizado para o DSRCT, mas a abordagem geralmente é multimodal e agressiva, preferencialmente conduzida em centros especializados em sarcomas.
Opções Terapêuticas
- Quimioterapia: Utilização de regimes de alta dose (como o Protocolo P6) e quimioterapia de manutenção.
- Cirurgia: Procedimentos de debulking (redução de massa tumoral) e cirurgia citorredutora.
- Radioterapia: Incluindo radioterapia corporal estereotática e terapia de radiação modulada por intensidade.
- Outras Intervenções: Transplante de células-tronco hematopoiéticas, ablação por radiofrequência e quimioperfusão hipertérmica intraperitoneal.
O prognóstico permanece reservado devido à alta agressividade do tumor, sua tendência a metástases precoces (especialmente para fígado, pulmões e linfonodos) e a frequência de diagnósticos tardios.
Perguntas frequentes
O que é o Tumor Desmoplásico de Células Redondas Pequenas?
É um câncer raro e agressivo, classificado como um sarcoma de tecidos moles, que ocorre predominantemente no abdômen de crianças e adolescentes.
Qual a principal característica genética do DSRCT?
A presença de quase universal da translocação cromossômica t(11;22)(p13;q12), que funde os genes EWSR1 e WT1.
Quais são os sintomas mais comuns?
Os sintomas iniciais incluem distensão abdominal, dor abdominal ou lombar, presença de massas palpáveis no abdômen e, em casos avançados, ascite e perda de peso.
Como é feito o diagnóstico diferencial do DSRCT?
O médico deve distinguir o DSRCT de outros tumores de células redondas pequenas, como o neuroblastoma, rabdomiossarcoma e, em mulheres, o câncer de ovário.