The Paper: O Jornal Digital de Xangai
Pontos principais
- Operado pelo Shanghai United Media Group, um grupo de mídia estatal chinês.
- Lançado em 2014 para migrar a audiência do impresso para o digital.
- Conhecido por realizar reportagens investigativas sobre corrupção e questões sociais na China.
- Passou por uma redução significativa de pessoal e estrutura em fevereiro de 2025.
O The Paper (do chinês 澎湃新闻, lit. 'Notícias Surge') é um jornal digital chinês operado pelo Shanghai United Media Group, um conglomerado de mídia estatal.
Histórico e Evolução
Lançado em julho de 2014, o The Paper surgiu como um desdobramento do Oriental Morning Post. O projeto recebeu um investimento inicial significativo, com estimativas variando entre 16 e 64 milhões de dólares; desse montante, cerca de 100 milhões de yuans (aproximadamente 14,5 milhões de dólares) foram providos pelo governo através da Administração do Ciberespaço da China.
A criação do veículo foi uma resposta estratégica ao declínio das receitas dos jornais impressos na China no início da década de 2010, visando atrair o público usuário de internet móvel. Em maio de 2016, o jornal expandiu sua atuação com o lançamento do Sixth Tone, uma publicação irmã em língua inglesa.
No final de 2016, seis empresas estatais de Xangai realizaram um investimento estratégico na Shanghai Oriental Newspaper Industry Company Limited, operadora do The Paper, injetando 610 milhões de yuans. Embora a participação do Shanghai United Media Group tenha caído de 100% para 82,2%, o grupo manteve o controle final da organização. Em 1º de janeiro de 2017, o Oriental Morning Post encerrou suas atividades, transferindo todas as suas funções de reportagem e opinião para o The Paper.
Recentemente, em fevereiro de 2025, a organização passou por uma reestruturação profunda, reduzindo sua força de trabalho, consolidando 13 centros de edição em seis e encerrando 20 segmentos de serviço de notícias e 15 perfis em redes sociais.
Linha Editorial e Reportagens
Desde a sua fundação, o The Paper foi reconhecido por possuir, em certa medida, maior autonomia editorial do que outras organizações de mídia comparáveis na China, onde a censura governamental é rigorosa. Essa flexibilidade visa atrair usuários jovens, mantendo a conformidade com a linha política do Partido Comunista Chinês.
O veículo especializou-se em reportagens investigativas sobre escândalos sociais e corrupção. No dia de seu lançamento, publicou uma denúncia sobre má conduta judicial na província de Anhui, o que levou o Tribunal Superior do Povo de Anhui a reabrir investigações. Outras coberturas notáveis incluem séries sobre Ling Jihua e denúncias sobre a escassez de medicamentos acessíveis para crianças com leucemia, que resultaram em diretrizes do então primeiro-ministro Li Keqiang em novembro de 2017 para aumentar a produção de fármacos nacionais baratos.
Perguntas frequentes
O que é o The Paper?
É um jornal digital chinês, pertencente ao grupo estatal Shanghai United Media Group, focado em notícias e reportagens investigativas.
Qual a relação entre o The Paper e o Oriental Morning Post?
O The Paper nasceu como um desdobramento do Oriental Morning Post, que encerrou suas atividades em 2017, transferindo suas funções para o jornal digital.
O The Paper é independente?
Não, é operado por um grupo estatal e segue a linha política do Partido Comunista Chinês, embora tenha tido historicamente certa autonomia em reportagens investigativas.