Música

Técnicas de Canto Falado: Sprechgesang e Sprechstimme

Pontos principais

  • Sprechgesang assemelha-se ao recitativo, mantendo alturas tonais com articulação de fala.
  • Sprechstimme, popularizada por Schoenberg, exige que a nota seja abandonada imediatamente após o ataque.
  • A notação clássica de Sprechstimme utiliza cruzes nos hastes das notas para diferenciar do canto tradicional.
  • A técnica influenciou a música popular contemporânea, do rock experimental ao punk.

O Sprechgesang (do alemão, "canto falado") e a Sprechstimme (do alemão, "voz falada") são técnicas vocais expressionistas que se situam em um espaço híbrido entre o canto lírico e a fala natural. Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos em contextos informais, eles possuem distinções técnicas e históricas importantes dentro da teoria musical.

Distinções entre Sprechgesang e Sprechstimme

O Sprechgesang está mais alinhado às tradições do recitativo ou do parlando. Nessas formas, as alturas das notas são cantadas, mas a articulação é rápida e solta, assemelhando-se ao ritmo da fala. Historicamente, o termo foi associado aos dramas musicais de Richard Wagner e a outras óperas do romantismo tardio alemão, funcionando muitas vezes como uma alternativa terminológica ao recitativo tradicional.

Já a Sprechstimme aproxima-se mais da fala propriamente dita, pois não enfatiza alturas tonais específicas. Esta técnica é central para a estética da Segunda Escola de Viena, especialmente nas obras de Arnold Schoenberg e Alban Berg.

Desenvolvimento e a Segunda Escola de Viena

Um dos primeiros usos composicionais da técnica ocorreu na versão original de Königskinder (1897), de Engelbert Humperdinck, embora tenha sido posteriormente substituída por canto convencional. No entanto, a consolidação da Sprechstimme ocorreu com Arnold Schoenberg. Em Gurre-Lieder (1911), Schoenberg introduziu a parte do "Narrador" utilizando esta notação.

A obra Pierrot lunaire (1912) marca o uso sistemático da técnica. No prefácio da obra, Schoenberg instruiu que o intérprete deve seguir os ritmos indicados, mas, ao contrário do canto, deve abandonar a nota imediatamente após atacá-la, subindo ou descendo a altura. O objetivo não era imitar a fala natural, mas criar uma forma de fala que colaborasse com a estrutura musical sem soar como canto.

Alban Berg também adotou a técnica em suas óperas Wozzeck e Lulu. Berg desenvolveu gradações de Sprechstimme, utilizando diferentes notações para distinguir entre a fala puramente rítmica e a fala mais próxima do canto.

Notação Musical

A notação de Schoenberg para a Sprechstimme evoluiu ao longo do tempo:

  • Período Inicial: Utilizava-se pequenas cruzes nos hastes das notas ou a própria cabeça da nota em formato de cruz.
  • Período Tardio: A partir de Ode to Napoleon Bonaparte (1942), Schoenberg passou a utilizar uma única linha (sem clave), onde a posição da nota acima ou abaixo da linha indicava a altura relativa, eliminando a referência a tons específicos.

Na prática moderna, é comum representar a Sprechstimme substituindo a cabeça da nota convencional por um "x".

Influência na Música Popular e Contemporânea

Desde a década de 1960, estilos de "talk-singing" inspirados no Sprechgesang surgiram em diversos gêneros, como o rock, punk e música alternativa. Artistas como Lou Reed, Nick Cave, Bob Dylan e grupos como Kraftwerk e Sonic Youth são frequentemente citados por utilizarem abordagens vocais que transitam entre a fala e o canto para enfatizar a narrativa ou a expressividade emocional.

Perguntas frequentes

Qual a principal diferença entre Sprechgesang e Sprechstimme?

O Sprechgesang é mais próximo do recitativo operístico, onde as notas são cantadas com articulação rápida. A Sprechstimme é mais próxima da fala, onde a altura da nota é apenas sugerida e abandonada imediatamente.

Quem foi o principal compositor a formalizar a Sprechstimme?

Arnold Schoenberg foi a figura central, detalhando a técnica e sua notação especialmente na obra Pierrot lunaire (1912).

Como a Sprechstimme é notada na partitura?

Originalmente, Schoenberg usava cruzes nos hastes das notas. Mais tarde, adotou uma linha única sem clave. Atualmente, é comum usar um 'x' no lugar da cabeça da nota.