Suposta Invasão do Telefone de Jeff Bezos
Pontos principais
- A FTI Consulting afirmou que o telefone de Jeff Bezos foi infectado por um arquivo enviado via WhatsApp pela conta do príncipe Mohammed bin Salman em maio de 2018.
- O governo da Arábia Saudita negou formalmente qualquer envolvimento na invasão do dispositivo.
- O FBI informou em 2021 que não encontrou provas concretas para sustentar a tese de hacking por parte do governo saudita.
- Relatores da ONU associaram a suposta invasão a uma campanha de silenciamento contra o The Washington Post e seus críticos.
Em janeiro de 2020, a empresa de consultoria FTI Consulting afirmou, com um nível de confiança classificado como "médio a alto", que o telefone de Jeff Bezos, fundador da Amazon e proprietário do jornal The Washington Post, foi invadido em maio de 2018. De acordo com a análise, a intrusão teria ocorrido por meio de um arquivo enviado através da conta de WhatsApp do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.

Contexto e Antecedentes
A tensão entre Bezos e o governo saudita intensificou-se a partir de setembro de 2017, quando o The Washington Post começou a publicar colunas de Jamal Khashoggi, que eram fortemente críticas à gestão de Mohammed bin Salman. Apesar disso, em abril de 2018, Bezos e o príncipe herdeiro chegaram a jantar juntos e trocaram contatos via WhatsApp, mantendo mensagens amigáveis por um período.
O cenário mudou drasticamente após o assassinato de Khashoggi em outubro de 2018. A cobertura do jornal tornou-se cada vez mais crítica em relação ao papel do regime saudita no crime, o que, segundo especialistas, pode ter motivado a vigilância contra o empresário.
O Incidente e a Análise Forense
Uma análise conduzida por relatores especiais das Nações Unidas indicou que, em 1º de maio de 2018, Bezos recebeu um arquivo de vídeo criptografado da conta do príncipe herdeiro. A investigação concluiu que o download desse arquivo infectou o aparelho com um código malicioso.
A FTI Consulting, contratada por Bezos em fevereiro de 2019, observou que, poucas horas após o recebimento do arquivo, o iPhone começou a transmitir volumes de dados significativamente maiores, comportamento que persistiu por meses. Embora o vídeo em si não estivesse infectado, o software de download — criptografado pelo WhatsApp — teria sido a porta de entrada para o malware.
Evidências Circunstanciais
O relatório da FTI Consulting destacou dois pontos principais para sustentar a tese de invasão:
- Vazamento de Informações Privadas: Em novembro de 2018, o príncipe bin Salman teria enviado a Bezos uma imagem que lembrava a mulher com quem ele mantinha um caso extraconjugal, informação que ainda não era pública na época.
- Interações Suspeitas: Em fevereiro de 2019, bin Salman enviou uma mensagem sugerindo que Bezos não acreditasse em tudo o que ouvia, logo após o empresário ter sido informado sobre uma campanha de difamação orquestrada por sauditas na internet.
Investigações e Controvérsias
A questão da invasão tornou-se pública após o tabloide National Enquirer publicar detalhes do caso extraconjugal de Bezos em janeiro de 2019. Bezos acusou a editora do tabloide, a American Media, Inc. (AMI), de extorsão e chantagem. Gavin de Becker, especialista em segurança de Bezos, afirmou que a investigação concluiu que os sauditas tiveram acesso ao telefone do empresário para obter informações privadas.
O governo da Arábia Saudita negou veementemente todas as acusações. O Ministério de Estado para Assuntos Estrangeiros saudita e a embaixada do país nos Estados Unidos afirmaram que o reino não teve qualquer envolvimento no hacking.
Em dezembro de 2021, o FBI declarou que não encontrou provas suficientes para substanciar as alegações de que a Arábia Saudita invadiu o telefone de Bezos, tratando a investigação como uma prioridade baixa.
Críticas Técnicas
A conclusão da FTI Consulting não foi aceita universalmente por especialistas em segurança digital. A MIT Technology Review argumentou que o relatório carecia de evidências conclusivas, pois não identificou especificamente qual software de espionagem (spyware) foi utilizado. Outros especialistas, como Sarah Edwards e Vladimir Katalov, questionaram a profundidade da análise forense, sugerindo que arquivos essenciais do sistema operacional iOS não foram analisados, o que impediria a detecção definitiva de malwares patrocinados por Estados.
Perguntas frequentes
Como teria ocorrido a invasão do telefone de Jeff Bezos?
Segundo a FTI Consulting, a invasão ocorreu através de um arquivo de vídeo criptografado enviado via WhatsApp pela conta do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, em maio de 2018.
Qual a relação entre este incidente e o jornalista Jamal Khashoggi?
O The Washington Post, de Bezos, publicava colunas críticas ao governo saudita escritas por Khashoggi. Após o assassinato do jornalista em 2018, a cobertura do jornal tornou-se ainda mais crítica, o que é citado como possível motivação para a espionagem.
O governo da Arábia Saudita admitiu o ataque?
Não. Tanto o Ministério de Estado para Assuntos Estrangeiros quanto a embaixada saudita nos EUA negaram categoricamente qualquer envolvimento no incidente.
O FBI confirmou a invasão?
Não. Em dezembro de 2021, o FBI afirmou que não encontrou evidências que comprovassem a tese de que a Arábia Saudita hackeou o telefone de Bezos.