Farmacologia

Risdiplam: Tratamento Oral para Atrofia Muscular Espinhal

Pontos principais

  • Primeiro medicamento oral aprovado pela FDA para o tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME).
  • Atua como um modificador de splicing do gene SMN2 para aumentar a produção de proteína SMN funcional.
  • Aprovado nos EUA em agosto de 2020 e na Europa via EMA.
  • Desenvolvido pela Roche em parceria com a PTC Therapeutics e a SMA Foundation.

O Risdiplam, comercializado sob o nome de marca Evrysdi, é um medicamento desenvolvido para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME). Ele destaca-se por ser o primeiro fármaco de administração oral aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos para o tratamento desta patologia.

Estrutura química do Risdiplam
Representação da estrutura molecular do Risdiplam.

Mecanismo de Ação e Farmacologia

O Risdiplam atua diretamente na causa subjacente da AME: a deficiência da proteína de sobrevivência do neurônio motor (SMN). Esta proteína é codificada por dois genes, o SMN1 e o SMN2. A AME é causada por mutações no gene SMN1, que resultam em formas inativas da proteína. A gravidade da doença é geralmente determinada pela atividade do gene SMN2, que produz quantidades significativamente menores de proteína SMN funcional.

Quimicamente classificado como um aminociclopropano e derivado da piridazina, o Risdiplam funciona como um modificador de splicing de RNA direcionado ao gene SMN2. Ele modifica o processamento do RNA mensageiro do SMN2 para incluir o éxon 7, o que leva a um aumento na concentração de proteína SMN funcional in vivo.

Eficácia Clínica

A eficácia do Risdiplam foi avaliada em diferentes populações de pacientes:

  • AME de início infantil: Em um estudo de rótulo aberto com 41 participantes, a eficácia foi medida pela capacidade de sentar sem apoio por pelo menos cinco segundos. Após 12 meses de tratamento, 29% dos participantes alcançaram esse marco. Após 23 meses ou mais, 81% dos participantes estavam vivos e sem a necessidade de ventilação permanente.
  • AME de início tardio: Em um ensaio controlado randomizado com 180 participantes (entre 2 e 25 anos), os pacientes tratados com Risdiplam apresentaram melhorias na função motora após 12 meses de tratamento em comparação ao grupo que recebeu placebo.

Uso em Contextos Específicos

Houve relatos do uso de Risdiplam em fetos in utero. Em um caso documentado, o tratamento foi iniciado às 32 semanas de gestação após a perda prévia de um filho para a AME. O bebê nasceu na 38ª semana e manteve o tratamento até os 2,5 anos, não apresentando sinais de atrofia muscular espinhal durante esse período.

Efeitos Adversos e Contraindicações

Ensaios clínicos indicaram que os eventos adversos mais comuns (ocorrendo com frequência pelo menos 5% maior que no grupo placebo) incluem:

  • Febre;
  • Diarreia;
  • Erupções cutâneas (rash);
  • Úlceras na região bucal;
  • Artralgia (dor nas articulações);
  • Infecções do trato urinário.

Em pacientes com AME de início infantil, foram observados eventos adicionais, como pneumonia, infecções do trato respiratório superior, vômitos e constipação. Além disso, o Risdiplam pode aumentar as concentrações plasmáticas de medicamentos que são substratos do transportador de extrusão multidrogas e toxinas (MATE).

Desenvolvimento e Status Legal

O medicamento foi desenvolvido pela Roche (Basel, Suíça), em colaboração com a PTC Therapeutics e a SMA Foundation, sendo comercializado nos Estados Unidos pela Genentech, subsidiária da Roche. A aprovação da FDA ocorreu em agosto de 2020, tendo recebido designações de fast track, revisão prioritária e medicamento órfão. Em fevereiro de 2025, a FDA aprovou uma nova formulação em comprimidos do fármaco.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) concedeu ao Risdiplam a designação de medicamento prioritário em 2018 e a de medicamento órfão em 2019. Desde 2019, a Roche oferece o medicamento globalmente de forma gratuita para pacientes elegíveis através de um programa de acesso expandido.

Perguntas frequentes

O que é o Risdiplam?

O Risdiplam (Evrysdi) é um medicamento de administração oral utilizado para tratar a Atrofia Muscular Espinhal (AME), atuando no aumento da produção de proteína SMN funcional através da modificação do splicing do gene SMN2.

Como o Risdiplam funciona no organismo?

Ele modifica o processamento do RNA mensageiro do gene SMN2 para incluir o éxon 7, resultando em maior concentração de proteína SMN funcional, combatendo a causa básica da AME.

Quais são os principais efeitos colaterais do Risdiplam?

Os efeitos mais comuns incluem febre, diarreia, erupções cutâneas, úlceras bucais, artralgia e infecções urinárias. Em crianças, podem ocorrer pneumonia e infecções respiratórias.

Qual a diferença entre o Risdiplam e o Nusinersen?

Embora ambos alterem o splicing do SMN2, o Risdiplam é administrado por via oral, enquanto o Nusinersen é um oligonucleotídeo antisense administrado por via intratecal.