Nutrição e Biotecnologia

Proteína de Soja: Propriedades, Produção e Aplicações

Pontos principais

  • A proteína de soja é composta principalmente por glicinina e beta-conglicinina, pertencentes à família das globulinas.
  • Percy Lavon Julian foi pioneiro no isolamento industrial de proteína de soja em 1936.
  • O isolado de proteína de soja foi crucial para a criação de espumas contra incêndio (Aero-Foam) usadas pela Marinha dos EUA na Segunda Guerra Mundial.
  • Existem três formas principais de produtos comerciais: farinha de soja, concentrados e isolados proteicos.

A proteína de soja é um composto proteico isolado a partir da soja (Glycine max). O processo de obtenção inicia-se com a farinha de soja que foi previamente descascada e desengordurada. A partir desse material, são desenvolvidos três principais produtos comerciais de alto teor proteico: a farinha de soja, os concentrados e o isolado proteico, amplamente utilizados tanto na indústria alimentícia quanto em processos de manufatura industrial.

Amostra de proteína de soja processada em pó
Representação de proteína de soja isolada em sua forma pulverulenta.

Composição Bioquímica

A proteína de soja concentra-se predominantemente em corpos proteicos, que estimam conter entre 60% e 70% da proteína total da soja. Durante a germinação da semente, essas proteínas são digeridas e os aminoácidos liberados são transportados para as áreas de crescimento da plântula.

As proteínas de leguminosas, como a soja, pertencem à família das globulinas de armazenamento de sementes, especificamente as leguminas e vicilinas. No caso da soja, destacam-se a glicinina e a beta-conglicinina. Além das proteínas de armazenamento, a soja contém proteínas metabolicamente ativas, incluindo enzimas, inibidores de tripsina, hemaglutininas e proteases de cisteína (semelhantes à papaína).

Para a extração eficiente das proteínas dos cotilédones, utiliza-se água, água com álcalis diluídos ou soluções aquosas de cloreto de sódio, preferencialmente em grãos descascados e desengordurados que passaram por tratamento térmico mínimo para preservar a estrutura nativa (não desnaturada) da proteína.

Histórico de Desenvolvimento

A disponibilidade comercial da proteína de soja remonta a 1936, quando o químico orgânico Percy Lavon Julian projetou a primeira planta de isolamento de proteína de soja de grau industrial, denominada "proteína alfa". Inicialmente, a maior aplicação industrial era a cobertura de papéis, servindo como aglutinante de pigmentos.

Um marco notável foi a criação de uma seda artificial feita de isolado de proteína de soja, utilizada por Henry Ford em trajes especiais. Posteriormente, durante a Segunda Guerra Mundial, a proteína de soja isolada foi utilizada para desenvolver o Aero-Foam, uma espuma de combate a incêndios utilizada pela Marinha dos Estados Unidos para extinguir fogos de óleo e gasolina em navios e porta-aviões, salvando inúmeras vidas.

No setor alimentício, o isolado de proteína de soja comestível tornou-se disponível em 2 de outubro de 1959, com a inauguração da instalação de produção do produto Promine D pela Central Soya em Chicago.

Aplicações

Uso Alimentar

A proteína de soja é versátil e integrada em diversos produtos, tais como:

  • Substitutos de carne (análogos cárneos);
  • Fórmulas infantis;
  • Bebidas em pó e cremes não lácteos;
  • Molhos para salada, sopas e pães;
  • Alimentos para animais de estimação;
  • Sobremesas congeladas e coberturas batidas.

Uso Industrial

A farinha de soja desengordurada (com aproximadamente 50% de proteína) é utilizada como cola, substituindo colas de caseína ou resinas tóxicas de ureia-formaldeído e fenol-formaldeído em compensados de madeira. Além disso, a proteína de soja é empregada em:

  • Emulsificantes e texturizantes;
  • Adesivos, asfalto e resinas;
  • Cosméticos, tintas e coberturas de papel;
  • Plásticos, poliésteres e fibras têxteis;
  • Pesticidas e fungicidas.

Métodos de Produção

Isolado Proteico

O isolado de proteína de soja comestível é derivado da farinha de soja desengordurada com alta solubilidade em água. A extração aquosa ocorre em pH inferior a 9. O extrato é clarificado para remover materiais insolúveis e o líquido sobrenadante é acidificado para um pH entre 4 e 5. O precipitado (coalho proteico) é coletado por centrifugação, neutralizado com álcalis para formar o sal de proteinato de sódio e, finalmente, seco.

Concentrado Proteico

O concentrado é produzido imobilizando as proteínas globulinas enquanto carboidratos solúveis, proteínas do soro da soja e sais são removidos por lixiviação. Os tratamentos de lixiviação podem incluir o uso de álcool/solvente aquoso (20-80%), ácidos aquosos na zona isoelétrica (pH 4-5), água gelada ou água quente em farinha de soja tratada termicamente.

Esses processos resultam tipicamente em um produto com 70% de proteína, 20% de carboidratos, 6% de cinzas e cerca de 1% de óleo.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre isolado e concentrado de proteína de soja?

O isolado proteico é obtido através de um processo de extração e precipitação que remove a maioria dos carboidratos e gorduras, resultando em um teor proteico mais elevado. O concentrado é produzido por lixiviação para remover carboidratos solúveis e sais, mantendo um teor proteico em torno de 70%.

Para que serve a proteína de soja na indústria não alimentar?

Ela é utilizada como aglutinante em coberturas de papel, em adesivos para compensados de madeira (substituindo resinas tóxicas), em tintas, plásticos e fibras têxteis.

Quais são as principais proteínas presentes na soja?

As principais proteínas de armazenamento são a glicinina e a beta-conglicinina, que pertencem à família das globulinas.