O Paradoxo do Amigo de Wigner
Pontos principais
- Proposto por Eugene Wigner em 1961 para explorar a relação entre consciência e medição quântica.
- Demonstra a contradição entre a evolução unitária da função de onda e o colapso da medição na Interpretação de Copenhague.
- Cria um cenário onde dois observadores podem ter percepções contraditórias e igualmente válidas sobre a realidade física.
- Questiona se a consciência humana é necessária para causar o colapso da função de onda.
O Amigo de Wigner é um experimento mental no campo da física quântica teórica, proposto originalmente pelo físico húngaro-americano Eugene Wigner em 1961. O cenário foi posteriormente expandido e desenvolvido por David Deutsch em 1985. O paradoxo visa explorar as implicações da medição quântica e a natureza da consciência do observador, questionando se a realidade é objetiva ou dependente de quem a observa.
A Estrutura do Experimento Mental
O cenário envolve a observação indireta de uma medição quântica. Imagine a seguinte configuração: um observador (denotado como W, representando Wigner) observa outro observador (denotado como F, representando o amigo) que, por sua vez, realiza a medição de um sistema físico quântico.


De acordo com as leis da teoria quântica, os dois observadores podem formular afirmações contraditórias sobre o estado do sistema físico após a medição. No contexto da Interpretação de Copenhague, isso revela uma incompatibilidade aparente entre duas leis fundamentais:
- Evolução Determinística: A evolução contínua e determinística do estado de um sistema fechado (equação de Schrödinger).
- Colapso da Função de Onda: O colapso não determinístico e descontínuo do estado do sistema no momento da medição.
Este paradoxo está intrinsecamente ligado ao problema da medição na mecânica quântica e guarda semelhanças conceituais com o famoso paradoxo do Gato de Schrödinger.
O Paradoxo Original e a Consciência
Wigner introduziu este experimento em seu artigo de 1961, "Remarks on the Mind-Body Question". Ele argumentou que a física quântica desafiava o materialismo rigoroso, sugerindo que a mente ou a consciência do observador desempenha um papel fundamental na redução da função de onda.
A Natureza da Função de Onda
Para Wigner, a função de onda é um conceito matemático que resume o conhecimento disponível sobre um objeto, permitindo prever as probabilidades de diferentes impressões ou sensações que um observador receberá ao interagir com o sistema. Ele defendia que a informação contida na função de onda é comunicável, mas que o ato de observar altera essa função de forma indeterminística, pois a entrada de uma impressão na consciência do observador exige a revisão das probabilidades futuras.
O Observador Observado
No experimento, o amigo de Wigner está dentro de um laboratório isolado realizando a medição de um sistema em superposição de dois estados, por exemplo, o estado 0 e o estado 1.


Do ponto de vista do amigo, a medição ocorre e a função de onda colapsa instantaneamente para um dos dois resultados. No entanto, para Wigner, que está fora do laboratório, o sistema completo (incluindo o amigo e o aparelho de medição) permanece em um estado de superposição até que Wigner abra a porta do laboratório e interaja com o amigo.
Implementações e Críticas
Extensões do experimento do Amigo de Wigner foram propostas e algumas tentativas de implementação laboratorial foram realizadas utilizando fótons para representar os "amigos". No entanto, essas implementações são amplamente criticadas por físicos como Lev Vaidman, que argumenta que o "amigo" deve ser obrigatoriamente um objeto macroscópico para que o paradoxo mantenha seu sentido original. Outros, como o filósofo Tim Maudlin, afirmam categoricamente que um fóton não pode ser considerado um observador.
Perguntas frequentes
O que é o Paradoxo do Amigo de Wigner?
É um experimento mental que demonstra como dois observadores em diferentes contextos podem discordar sobre se uma medição quântica já ocorreu, desafiando a noção de uma realidade objetiva única.
Qual a diferença entre este paradoxo e o Gato de Schrödinger?
Enquanto o Gato de Schrödinger foca na superposição de um sistema macroscópico (o gato), o Amigo de Wigner adiciona a camada de um observador consciente que observa a superposição, questionando o papel da consciência no colapso da função de onda.
Por que o uso de fótons em experimentos reais é criticado?
Críticos argumentam que a essência do paradoxo reside na natureza do observador consciente e macroscópico; portanto, substituir um ser humano por um fóton remove o elemento central da discussão filosófica e física do experimento.
Qual a interpretação de Copenhague neste contexto?
Na Interpretação de Copenhague, a medição causa o colapso da função de onda. O paradoxo surge porque o amigo colapsa a função para si mesmo, mas para Wigner, o sistema (incluindo o amigo) continua em superposição até que Wigner realize sua própria medição.