Nikolaus I, Príncipe Esterházy: O Magnífico Patrono de Haydn
Pontos principais
- Conhecido como 'O Magnífico' por sua extravagância e patrocínio às artes.
- Foi um Marechal de Campo do Império Austríaco com destaque na Batalha de Kolín.
- Construiu o palácio de Eszterháza, conhecido como o 'Versalhes Húngaro'.
- Foi o principal patrono de Joseph Haydn, incentivando a criação de suas sinfonias e obras para baryton.
Nikolaus I, Príncipe Esterházy (18 de dezembro de 1714 – 28 de setembro de 1790), também conhecido como Nikolaus Josef ou Miklós József, foi um influente príncipe húngaro e membro da proeminente família Esterházy. Ficou historicamente conhecido como "o Magnífico" devido ao seu gosto extravagante por vestimentas, a construção de palácios suntuosos e seu profundo interesse por produções musicais grandiosas, especialmente a ópera.
Sua contribuição mais duradoura para a cultura ocidental foi o seu papel como o principal empregador e patrono do compositor Joseph Haydn, proporcionando as condições necessárias para que o músico desenvolvesse grande parte de sua obra sinfônica.
Vida e Carreira Militar
Filho do Príncipe Joseph e irmão mais novo do Príncipe Paul Anton, Nikolaus foi educado por jesuítas e iniciou sua trajetória como oficial militar a serviço do Império Austríaco. Sua carreira militar foi marcada por distinção, especialmente durante a Guerra dos Sete Anos. No contexto da Batalha de Kolín (1757), Nikolaus demonstrou coragem pessoal ao liderar tropas de cavalaria em um momento crítico, o que contribuiu para a vitória austríaca.
Devido aos seus méritos, ascendeu a postos elevados, tornando-se Tenente-Marechal de Campo e, posteriormente, Marechal de Campo em 1768. Foi também um dos membros fundadores da Ordem de Maria Teresa e recebeu a prestigiosa Ordem do Tosão de Ouro.

Ascensão ao Título e Eszterháza
Nikolaus deteve o título de Conde até a morte de seu irmão, Paul Anton, em 1762. Como Paul Anton não deixou descendentes, Nikolaus herdou o título de Príncipe. Sob o reinado de José II, o título de Príncipe foi estendido a todos os seus descendentes, independentemente do gênero.
Em 1766, Nikolaus iniciou a construção de um novo e suntuoso palácio em Eszterháza (atual Fertőd), na Hungria rural, no local de seu antigo refúgio de caça. O complexo, frequentemente chamado de "Versalhes Húngaro", tornou-se o centro de sua vida social e artística. Embora inicialmente passasse lá apenas os verões, o príncipe passou a residir em Eszterháza durante dez meses do ano, preferindo-o a Viena, onde a maioria da aristocracia imperial residia.
Personalidade e Administração
Nikolaus aplicou a disciplina militar na gestão de suas terras e de sua casa. Seu administrador-chefe, Peter Ludwig von Rahier, também era militar, e os servos de alta patente, incluindo Joseph Haydn, eram designados como "oficiais da casa", possuindo privilégios específicos, como mesas reservadas para refeições.
O príncipe era conhecido por exigir honestidade rigorosa e adesão estrita aos procedimentos administrativos. Ele chegou a emitir documentos detalhados com instruções que abrangiam desde a segurança de celeiros até a conduta moral de seus subordinados. Apesar de sua extravagância pessoal — como o uso de jaquetas cravejadas de diamantes —, sua gestão foi financeiramente eficaz, resultando em um aumento considerável da riqueza das propriedades da família até sua morte em 1790.
Contradições: Benevolência e Rigor Feudal
A figura de Nikolaus I é marcada por contrastes. Por um lado, demonstrou uma preocupação incomum para a época com o bem-estar de seus empregados da corte. Ele mantinha programas de previdência social, pagando pensões a funcionários idosos e auxílios a viúvas, além de financiar hospitais em Eisenstadt e Eszterháza.
Por outro lado, Nikolaus é descrito como um senhor feudal rigoroso em relação aos camponeses que trabalhavam em suas terras. Relatos da época, como os do Barão Johann Kaspar Riesbeck, destacam o abismo entre a magnificência do palácio de Eszterháza e a miséria extrema dos servos que viviam em condições precárias ao redor dos jardins, evidenciando a resistência do príncipe às reformas humanitárias introduzidas por Maria Teresa.
Relação com Joseph Haydn
Nikolaus não contratou Haydn originalmente; ele o "herdou" de seu irmão Paul Anton, que o havia nomeado Vice Kapellmeister em 1761. Em 1766, Nikolaus promoveu Haydn ao cargo de Kapellmeister (Mestre de Capela).
A relação entre ambos evoluiu para um vínculo de mútua valorização. O príncipe frequentemente premiava Haydn com ducados de ouro por composições excepcionais e apoiou o músico em crises pessoais, como a reconstrução de sua casa após incêndios. Nikolaus também incentivou Haydn a compor para o baryton, o instrumento favorito do príncipe, resultando na criação de 126 trios para o instrumento.
Embora Nikolaus não tenha demonstrado grande interesse pelos quartetos de cordas de Haydn, ele foi o patrocinador fundamental de suas sinfonias. Ao fornecer uma orquestra dedicada, salários competitivos e controle artístico total, Nikolaus criou um "incubador" que permitiu a Haydn refinar a forma sinfônica. A orquestra, que começou com cerca de 13 a 15 músicos nos anos 1760, expandiu-se para até 24 integrantes com a introdução de produções operísticas.
Perguntas frequentes
Por que Nikolaus I era chamado de 'O Magnífico'?
Ele recebeu esse título devido ao seu gosto por roupas extravagantes, a construção de palácios suntuosos e seu investimento em produções musicais e óperas grandiosas.
Qual foi a importância de Nikolaus I para a música clássica?
Ele foi o principal patrono de Joseph Haydn, fornecendo a infraestrutura e a liberdade artística necessárias para que Haydn desenvolvesse a maior parte de sua obra sinfônica.
O que era o baryton e qual a relação com o príncipe?
O baryton era um instrumento de cordas complexo e agora obscuro. Nikolaus I era um músico amador e tocava o instrumento, exigindo que Haydn compusesse obras especificamente para ele.
Como era a vida dos servos sob o comando de Nikolaus I?
Enquanto era generoso com seus funcionários da corte, Nikolaus era visto como um senhor feudal rigoroso e indiferente às reformas sociais para os camponeses de suas terras.