Família Caulimoviridae: Vírus de Plantas com Transcrição Reversa
Pontos principais
- Os vírus da família Caulimoviridae possuem genoma de DNA de fita dupla (dsDNA).
- A replicação envolve uma etapa de transcrição reversa, classificando-os como pararetrovírus.
- A família é composta por 11 gêneros reconhecidos.
- Diferente de outros membros da ordem Ortervirales, não codificam a enzima integrase.
A família Caulimoviridae compreende um grupo de vírus que infectam plantas, caracterizados por possuírem um genoma de DNA de fita dupla (dsDNA) e por utilizarem a transcrição reversa como parte essencial de seu ciclo de replicação. Devido a essa característica, são frequentemente classificados como pararetrovírus.
Taxonomia e Classificação
A família é composta por 11 gêneros distintos, que incluem: Badnavirus, Caulimovirus, Cavemovirus, Dioscovirus, Petuvirus, Rosadnavirus, Ruflodivirus, Solendovirus, Soymovirus, Tungrovirus e Vaccinivirus.
Estrutura das Partículas Virais
Os vírus desta família não possuem envelope lipídico. As partículas virais apresentam morfologia baciliforme ou isométrica. As partículas baciliformes possuem diâmetros entre 35 e 50 nm e podem atingir até 900 nm de comprimento. Já as partículas isométricas apresentam simetria icosaédrica com diâmetro médio de 45 a 50 nm.

Genoma e Replicação
O genoma dos Caulimoviridae consiste em uma molécula de dsDNA circular, não fechada covalentemente, com tamanho variando entre 7,2 e 9,3 kbp. O genoma apresenta descontinuidades específicas em ambas as fitas. A organização genômica varia de uma única fase de leitura aberta (ORF), como observado nos Petuvirus, até oito ORFs, como nos Soymovirus.
As proteínas codificadas pelo genoma viral incluem a transcriptase reversa (RT), ribonuclease H (RnaseH), proteases aspárticas (AP), proteínas do capsídeo (CP), proteínas de movimento (MP) e proteínas associadas ao vírus (VAP). Diferente de outras famílias da ordem Ortervirales, os Caulimoviridae não codificam uma proteína integrase, o que torna a integração ao genoma do hospedeiro um processo não obrigatório para o seu ciclo de vida.
Após a entrada na célula hospedeira, o DNA viral é transportado para o núcleo, onde forma estruturas de minicromossomos superenrolados. A polimerase II do hospedeiro transcreve esse DNA em RNA policistrônico. Esse RNA é então exportado para o citoplasma, onde ocorre a tradução das proteínas virais ou a retrotranscrição para a formação de novas cópias do genoma de dsDNA.
Elementos Virais Endógenos
A presença de elementos virais endógenos (EVEs) derivados de Caulimoviridae é comum em genomas de plantas. A integração ocorre geralmente por mecanismos de reparo de DNA, como a união de extremidades não homólogas. Embora a maioria desses elementos seja não infecciosa, foram relatados casos de EVEs infecciosos em espécies como Petunia, banana e Nicotiana edwardsonii.
Perguntas frequentes
O que caracteriza os vírus da família Caulimoviridae?
São vírus de plantas com genoma de DNA de fita dupla que utilizam a transcrição reversa em seu ciclo de replicação.
Os Caulimoviridae possuem envelope?
Não, os vírus desta família são classificados como não envelopados.
A integração no genoma do hospedeiro é obrigatória para a replicação?
Não. Ao contrário de outros vírus da ordem Ortervirales, os Caulimoviridae não codificam uma integrase, tornando a integração um evento não obrigatório.