Câncer Orofaringeo: Causas, Sintomas e Tratamentos
Pontos principais
- O câncer orofaríngeo pode ser dividido em dois tipos principais: HPV-positivo e HPV-negativo.
- O biomarcador p16 é fundamental para determinar o prognóstico, com pacientes HPV-positivos apresentando maiores taxas de sobrevivência.
- A vacinação contra o HPV é uma medida preventiva eficaz para reduzir a incidência de tumores orofaríngeos associados ao vírus.
- O diagnóstico é confirmado via biópsia de tecidos anormais na base da língua, amígdalas ou palato mole.
O câncer orofaríngeo, também conhecido como carcinoma espinocelular orofaríngeo ou câncer de amígdalas, é uma neoplasia maligna que se desenvolve na orofaringe. Esta região da garganta compreende a base da língua, as amígdalas palatinas, o palato mole e as paredes laterais e posteriores da faringe. As células anormais apresentam a capacidade de crescer localmente e metastatizar para outras partes do organismo.
Existem dois subtipos principais desta doença, distinguidos principalmente por sua etiologia: o câncer orofaríngeo HPV-positivo, causado por infecções orais pelo papilomavírus humano (HPV), e o câncer orofaríngeo HPV-negativo, geralmente associados ao uso crônico de tabaco, álcool ou a combinação de ambos.

Sinais e Sintomas
Os sintomas do câncer orofaríngeo podem variar dependendo da localização e do estágio do tumor. Os sinais mais comuns incluem:
- Dor de garganta persistente (por mais de duas semanas);
- Dificuldade ou dor ao engolir (disfagia);
- Presença de nódulos ou massas na garganta, boca ou pescoço;
- Alterações na voz, como rouquidão;
- Dor no ouvido (otalgia reflexa);
- Perda de peso inexplicada e rápida;
- Tosse persistente ou dificuldades respiratórias;
- Sensação de dor surda atrás do esterno.
Fatores de Risco
A probabilidade de desenvolver a doença está ligada a diversos fatores, classificados conforme seu impacto:
Fatores Principais
- Infecção por HPV: A transmissão ocorre frequentemente através do beijo ou sexo oral. Diversos tipos de HPV são carcinogênicos.
- Tabagismo: O uso de cigarros e tabaco mascável.
- Consumo de Álcool: O uso pesado e prolongado de bebidas alcoólicas.
Fatores Secundários e Lesões Precursoras
Outros fatores incluem dietas pobres em frutas e vegetais, uso de paan (estimulante comum na Ásia), fumo de maconha, exposição ao amianto e mutações genéticas específicas (como nos genes P53 e CDKN2A/p16). Além disso, certas lesões são consideradas precursoras, como a eritroplakia (alto risco), a fibrose submucosa oral (médio risco) e o líquen plano oral (baixo risco).
Diagnóstico e Estadiamento
O diagnóstico definitivo é realizado através da biópsia de tecidos anormais observados na orofaringe.

Estágios da Doença
O estadiamento segue critérios baseados no tamanho do tumor e na extensão da disseminação:
- Estágio 0: Carcinoma in situ; células anormais limitadas ao revestimento da orofaringe.
- Estágio 1: Tumor com 20 mm ou menos, sem disseminação externa.
- Estágio 2: Tumor entre 20 mm e 40 mm, sem disseminação externa.
- Estágio 3: Tumor maior que 40 mm sem disseminação, ou tumor de qualquer tamanho com metástase em um único linfonodo ipsilateral (até 30 mm).
- Estágio 4A: Invasão de tecidos adjacentes (laringe, mandíbula, músculos da língua) ou metástase em linfonodos maiores que 30 mm (até 60 mm).
- Estágio 4B: Invasão de ossos da mandíbula ou crânio, ou metástase em linfonodos maiores que 60 mm.
- Estágio 4C: Metástase para órgãos distantes.
Tratamento e Prognóstico
O manejo clínico tradicional envolve a combinação de cirurgia e radioterapia. Em casos mais complexos, podem ser integradas a quimioterapia e a imunoterapia, embora a evidência sobre a superioridade de combinações específicas varie.

O prognóstico é significativamente influenciado pelo status do HPV. Pacientes com câncer HPV-positivo tendem a apresentar taxas de sobrevivência mais elevadas. A proteína p16 é utilizada como biomarcador para o HPV; a sobrevivência em cinco anos é de aproximadamente 81% para pacientes p16/HPV positivos, contra 40% para aqueles negativos para ambos. Casos discordantes (onde o p16 e o HPV não coincidem) apresentam sobrevivência entre 53% e 55%.
Prevenção
A prevenção primária do câncer HPV-positivo baseia-se na vacinação contra o HPV, que demonstra eficácia superior a 90% na prevenção de infecções pelos tipos vacinais. Práticas seguras de sexo oral também são recomendadas. Para o câncer HPV-negativo, a principal estratégia é a cessação do tabagismo e a redução do consumo de álcool.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre câncer orofaríngeo HPV-positivo e HPV-negativo?
O HPV-positivo é causado por infecções orais pelo papilomavírus humano, enquanto o HPV-negativo está geralmente ligado ao uso de tabaco e álcool.
Quais são os sintomas mais comuns do câncer de garganta?
Os sintomas incluem dor de garganta persistente, dificuldade para engolir, rouquidão, nódulos no pescoço e perda de peso inexplicada.
Como é feito o diagnóstico do câncer orofaríngeo?
O diagnóstico é realizado através da biópsia de tecidos anormais identificados na região da orofaringe.
A vacina do HPV previne o câncer de garganta?
Sim, a vacina contra o HPV é altamente eficaz na prevenção de infecções pelos tipos de vírus que podem levar ao desenvolvimento de câncer orofaríngeo.