Análise Baseada em Gênero Plus (GBA Plus)
Pontos principais
- A GBA Plus é uma ferramenta analítica do governo canadense para avaliar impactos de políticas em diferentes gêneros e identidades.
- O 'Plus' representa a interseccionalidade, integrando fatores como raça, idade, religião e deficiência à análise de gênero.
- Tornou-se obrigatória para os membros do gabinete federal canadense em janeiro de 2021.
- É aplicada em áreas diversas, desde a compra de uniformes militares até estratégias de combate à violência de gênero.
A Análise Baseada em Gênero Plus (GBA Plus) é um processo analítico desenvolvido pelo governo do Canadá para avaliar como as políticas, programas e iniciativas governamentais afetam diferentemente mulheres, homens e pessoas não binárias. Diferente de uma ferramenta de advocacia, a GBA Plus funciona como um guia metodológico que incentiva os formuladores de políticas a questionar suposições e considerar a diversidade da população canadense desde a concepção de qualquer projeto.
Conceito e Interseccionalidade
O elemento "Plus" na nomenclatura refere-se à interseccionalidade. O processo reconhece que o gênero não é o único fator que molda a experiência de um indivíduo. A análise incorpora outros fatores de identidade, tais como:
- Raça e etnia;
- Religião e cultura;
- Idade e educação;
- Orientação sexual e identidade de gênero;
- Renda e idioma;
- Deficiências físicas ou mentais.
Ao analisar a interação entre esses fatores, o governo busca compreender como as desigualdades sistêmicas impactam o acesso e a eficácia dos serviços públicos para diferentes grupos demográficos.
Histórico e Evolução
A iniciativa originou-se de compromissos assumidos pelo Canadá na Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim, em 1995. Em 2005, o Comitê Permanente sobre a Condição da Mulher publicou um relatório enfatizando que a Análise Baseada em Gênero (GBA) deveria ser implementada em todo o governo federal, expandindo-se para áreas tradicionalmente não associadas a questões de gênero, como defesa, comércio e orçamento federal.
Em 2011, o processo foi renomeado para Gender-based Analysis Plus (GBA+), sinalizando a transição de um foco exclusivo em gênero para uma abordagem abrangente de diversidade. Em novembro de 2015, o compromisso com a diversidade foi reforçado com a nomeação do primeiro Ministro da Condição da Mulher para o Gabinete do Primeiro-Ministro.
Aplicações Práticas
A GBA Plus é aplicada em diversas frentes da administração pública canadense:
- Aquisições Governamentais: O Departamento de Defesa Nacional utiliza a ferramenta para eliminar vieses na compra de equipamentos e uniformes, garantindo que atendam a diversas necessidades físicas.
- Segurança Pública: A Polícia Montada do Canadá (RCMP) empregou a GBA Plus para desenvolver ferramentas de competência cultural e aprimorar a resposta à violência baseada em gênero.
- Recrutamento: Revisão de estratégias de contratação para assegurar a diversidade no ambiente de trabalho e oportunidades para empresas lideradas por grupos sub-representados.
Críticas e Implementação
A implementação da GBA Plus enfrentou desafios significativos. Um relatório do Auditor-Geral do Canadá apontou que a ferramenta não era utilizada de forma consistente ou profunda na maioria das agências federais por não ser um requisito obrigatório. Em resposta, em 15 de janeiro de 2021, o Primeiro-Ministro Justin Trudeau determinou que todos os membros do gabinete aplicassem a GBA Plus em suas decisões para combater o racismo sistêmico e a discriminação contra a comunidade LGBTQ2 e pessoas com deficiência.
Acadêmicos, como Olena Hankivsky e Linda Mussell, argumentam que, embora a GBA Plus seja um passo positivo para a justiça social, o modelo pode simplificar excessivamente a interseccionalidade. Outras críticas sugerem que a ferramenta pode se tornar apenas uma formalidade burocrática ("red tape") se a política original não for desenhada para enfrentar a desigualdade desde a sua base.
Perguntas frequentes
O que significa o 'Plus' na GBA Plus?
O 'Plus' refere-se à interseccionalidade, indicando que a análise não considera apenas o gênero, mas também outros fatores de identidade como raça, etnia, idade, religião, orientação sexual e deficiência.
A GBA Plus é uma forma de ativismo?
Não, é um processo analítico e metodológico destinado a ajudar formuladores de políticas a identificar lacunas e evitar suposições, resultando em políticas mais equitativas.
Como a GBA Plus é aplicada na prática?
Ela é usada para revisar desde processos de contratação e compras governamentais (como uniformes militares adequados a diferentes corpos) até a criação de protocolos de segurança pública e combate à violência baseada em gênero.