Música

Actions: Colaboração entre Don Cherry e Krzysztof Penderecki

Pontos principais

  • Gravado ao vivo em 17 de outubro de 1971 no Festival de Donaueschingen, Alemanha.
  • Reúne obras de Don Cherry e Krzysztof Penderecki executadas pela New Eternal Rhythm Orchestra.
  • A peça 'Actions for Free Jazz Orchestra' marcou a estreia de Penderecki como regente.
  • O álbum é considerado um documento histórico do encontro entre o free jazz e a música contemporânea europeia.

Actions é um álbum ao vivo que documenta a estreia de obras do compositor polonês Krzysztof Penderecki e do trompetista e compositor americano Don Cherry. A gravação ocorreu em 17 de outubro de 1971, durante o Festival de Donaueschingen, na Alemanha, sendo lançada posteriormente naquele mesmo ano pela gravadora Philips em formato LP.

A execução musical ficou a cargo da New Eternal Rhythm Orchestra, um conjunto formado por alguns dos mais proeminentes improvisadores europeus da época. O disco foi reeditado em CD em 1998 pela Transparency Records e, posteriormente, remasterizado e relançado em 2001 pela Intuition Records.

Composições e Conceitos

Humus - The Life Exploring Force

Composta por Don Cherry, a peça "Humus - The Life Exploring Force" utiliza materiais musicais de origem balinesa, africana e indiana. A obra baseia-se em sete temas, nenhum dos quais foi notado para a performance. Segundo Cherry, o título refere-se ao fundamento da vida e à terra, enfatizando a substância vital da natureza.

Sita Rama Encores

Nesta faixa, Cherry interage diretamente com o público, ensinando a audiência o padrão de dezesseis batidas do teental hindustani, integrando a participação popular à performance musical.

Actions for Free Jazz Orchestra

Krzysztof Penderecki escreveu "Actions for Free Jazz Orchestra" após ser influenciado por uma apresentação da Globe Unity Orchestra. Esta performance marcou a estreia de Penderecki como regente. A obra gerou debates entre os músicos participantes; alguns alegaram que a notação rigorosa de alturas e ritmos limitava a liberdade de improvisação típica do jazz. Penderecki, por sua vez, defendeu que a estrutura era necessária para que a peça mantivesse sua identidade autoral, embora tenha buscado preservar a sonoridade do gênero.

Recepção Crítica

A recepção do álbum é dividida entre a valorização histórica e a crítica técnica. Brian Olewnick, do AllMusic, elogiou a qualidade dos músicos e a energia de Cherry, embora tenha considerado a obra de Penderecki menos coesa, reconhecendo seu valor histórico. Já o Penguin Guide to Jazz Recordings descreveu o disco como um confronto entre o free jazz e a música nova, afirmando que a colaboração não envelheceu bem.

Por outro lado, Ian R. Watson, da BBC, argumentou que as influências combustíveis de ambas as peças permanecem relevantes, ecoando em artistas contemporâneos como Butch Morris. Phil Freeman, do Burning Ambulance, classificou o álbum como um documento essencial do avant-jazz de grande escala, destacando a alternância entre passagens de conjunto e solos raucosos.

Legado e Revivência

Em 2018, o saxofonista Mats Gustafsson e sua Fire! Orchestra foram comissionados para reviver "Actions" no Festival Sacrum Profanum, em Cracóvia, Polônia. Uma versão expandida desta performance foi gravada e lançada em CD pela Rune Grammofon em 2020.

Perguntas frequentes

O que é o álbum 'Actions'?

É um álbum ao vivo de 1971 que apresenta colaborações entre o trompetista Don Cherry e o compositor Krzysztof Penderecki, interpretado pela New Eternal Rhythm Orchestra.

Qual a importância da peça 'Actions for Free Jazz Orchestra'?

Além de ser uma obra de Penderecki inspirada no free jazz, a performance gravada no álbum marcou a primeira vez que o compositor atuou como regente.

Como Don Cherry abordou a composição em 'Humus'?

Cherry utilizou influências de músicas da Índia, África e Bali, baseando a obra em sete temas não notados, focando na improvisação e naquilo que ele chamava de 'substância da vida'.